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Praia imprópria para banhos: como é feita a avaliação, o que significa e quais os riscos?

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Muitos de nós já nos deparamos com alertas do tipo “praia imprópria para banho”, “riscos de contaminação” ou “balneabilidade imprópria” em praias que recebem uma grande quantidade de turistas, ainda assim, muitos ignoram os avisos e colocam a saúde em risco ao banharem-se em praias impróprias, mas, vocês sabem como é feita a análise da qualidade da água e quem é responsável por monitorar e classificar a qualidade de nossas praias?

A balneabilidade, ou seja, a capacidade de um local possibilitar o banho e atividades esportivas aquáticas é definida de acordo com os critérios estabelecidos pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e, no Estado de São Paulo, quem realiza o monitoramento da qualidade da água é a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

De acordo com a CETESB, todos os domingos seus técnicos percorrem os 172 pontos de amostragem do litoral paulista e adentram no mar na profundidade de aproximadamente 1 metro para realizar a coleta de amostra da água do mar. A escolha da profundidade não é aleatória, é nela onde se encontra a maior concentração de banhistas.

A amostra de água é então avaliada no laboratório para identificar e quantificar a densidade de bactérias fecais. São analisadas 3 tipos de bactérias fecais: coliformes termotolerantes, E. coli e enterococos. Dependendo da densidade de bactérias fecais presentes na amostra a praia será classificada como própria para banho ou imprópria.

Qual o risco de nadar em uma praia classificada como imprópria?

A E. Coli é uma bactéria presente no intestino de humanos e animais de sangue quente (como por exemplo os cães) e quando está presente em uma amostra de água indica contaminação recente por fezes já que essa bactéria apresenta dificuldade para se multiplicar em locais fora do trato intestinal. Por ser uma bactéria própria do intestino ela costuma causar problemas apenas quando entra em contato com outros órgãos, ou seja, quando ingerimos pequenas quantidades de água contaminada ao praticarmos qualquer atividade esportiva no mar ou simplesmente nos banharmos a bactéria acaba entrando em contato com outros órgãos e é aí que mora o problema. Apesar das doenças causadas por banho em praias impróprias geralmente não serem graves alguns indivíduos são mais propensos a contaminações. A E. Coli é responsável por uma série de doenças infecciosas como, por

exemplo, pneumonia, meningite e cistite além de ser responsável por diversos quadros de diarreia.

Estudiosos apontam que a diarreia atinge especialmente as crianças com menos de cinco anos de idade sendo que as crianças com menos de dois anos correm riscos maiores de vir à óbito devido complicações como desidratação e desnutrição. Idosos e pessoas com o sistema imune enfraquecido também correm riscos maiores de contaminação.

Se minha praia favorita for classificada como imprópria para banho nunca mais devo frequentá-la?

Quando a praia é classificada como imprópria para banho significa que temporariamente os níveis de bactérias fecais estão altos e o banhista não deve se submeter ao risco de frequentá-la, no entanto, essa condição pode mudar depois de uma semana e uma praia imprópria pode ser reclassificada como apropriada para banho. Outros eventos como chuva intensa, acidentes marítimos e concentração de turistas também podem contribuir para oscilações nas classificações de balneabilidade. Por isso é importante acompanhar a classificação das praias com frequência. No site da CETESB, na aba mapa da qualidade, é possível verificar a qualidade da água do mar clicando no nome da praia de interesse e verificar o período em que ocorreu a análise.

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